Bienal – breves impressões


Confesso que fiquei meio decepcionado com a Bienal do Livro de São Paulo.

Versão curta da história:

Basicamente diria pelo menos 1/3 da feira está ocupada com livrarias cristãs ou livrarias/produtos infantis. Não é que isso seja ruim por sí só, afinal, eles não são culpados por nada, e isso é, provavelmente, fruto de uma realidade de mercado. Mas a impressão é que, com a quantidade de coisas nesses dois segmentos, pareece que faltou um pouco de todo o resto.

Tive a impressão de estar vendo realmente os mesmos livros de 2 anos atrás. Eu, que sou advogado, vi no stand da Saraiva um alento. Ou melhor, esperava ver isso, mas a impressão que deu mesmo é que lançaram algumas coisas novas e MUITOS LIVROS PARA CONCURSOS. O resto, mais do mesmo e uma grande livraria para vender livros. Lançamentos MESMO, poucos.

Revista dos Tribunais? Mesma coisa: Atualiação de códigos, uma coleção simpatica que lembra o “Sinopses” da Saraiva (ou seja, mais concursos) e bom, ou me atenderam mal, ou não vi lançamento algum lá. Mas devo estar errado. Só descobri mesmo, de novidade, o imenso logotipo da Thomson Reuters, o que provavelemente deva ser a maior razão pela fraca presença na feira.

Atlas achei simpatico. Tinha variedade. Confesso que não explorei muito lá por já estar bem cansado de andar na feira. Mas confesso também que desde a ultima bienal, e depois de ter comprado alguns títulos dessa editora, passei a olhar ela com mais carinho, pelo cuidado com os livros e qualidade (material, dos livros e editorial). Mas nada além, é claro, de pelo menos outras 2 coleções voltadas  a concursos.

Ou seja, pelo menos outro terço da feira foi ocupada com concursos. Se não chegou a esse terço, a única coisa que rivalizou com os concursos foram as obras de ficção infanto juvenil. Gostou de Harry Potter? Gostou de Crepúsculo? Tem uma s vinte variedades disso lá na feira. E claro, Stephen King (esse é legal… :D).

O meu terço de feira na verdade é 30% 😀 (risos). Sobrou outro terço da feira, que simplesmente vou ocupar com editoras que publicam o seu livro e que deixam todo o problema para você. 😀

Dentro de cada terço de 30%, coloque ai editoras que se repetem. Ou melhor, desculpem, livreiros que repetem as editoras. Ou seja, quando falo de Saraiva, falo dela e de todos os stands que vendem Saraiva dentro da feira. Muita gente vende todo mundo lá, em especial os distribuidores de livros e claramente as livrarias do Rio de Janeiro, que apareceram aos montes na feira e parecia a bienal do Rio de Janeiro.

Os ultimos 10% da feira divida como você bem imaginar: Os malas de sempre oferecendo assinaturas de revistas, bancas do tipo “começa tudo a R$1,00”, destaque para o único sebo que eu vi (nao vi se teve outro), que foi o Sebo do Messias. Além disso, coloque ai patrocinadores diversos, rádios, um stand do submarino vendendo um e-reader que confesso que não me chamou a atenção em nada. Todo mundo oferecendo uma plataforma diferente de livro eletrônico ou o que eles chamam disso. Distribuidoras de livros também estão nesse pequeno monte.

Enfim, sinto que faltou algo na feira e mais ainda, sinto que o mercado de livros não está bom. Tem gente querendo reformar a Lei de Direitos Autorais. Espero que reformem para melhorar e auxiliar o mercado (não necessariamente as empresas).

A quantidade de porcaria sem nenhum tipo de filtro foi bem grande que eu vi (e fiz questão de frisar isso no stand de uma editora, sobre alguns títulos dela. Minha crítica foi tão forte que um editor, que estava na feira, pediu meu contato e perguntou se eu estava disposto a fazer leitura crítica das obras – confesso que sim, vamso ver no que dá…). As editoras são um filtro respeitável, ainda que muita gente questione sua utilidade.

Não gostei dessa Bienal, infelizmente.

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Um comentário sobre “Bienal – breves impressões

  1. Já faz algumas bienais que eu não apareço por lá. Sei lá, os preços dificilmente são interessantes e eu tenho acompanhado lançamentos pela internet. Acho mais tranquilo folhear nas livrarias mesmo. Gostava mais antes, quando não havia internet e a Bienal era a hora de tomar contato com livros desconhecidos e lançamentos. A diversão deve estar por conta de desviar dos caras vendendo assinatura 24 meses da Veja e tomar soda sem gás em pé esperando mesa. Acho que tô ficando velho…

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