Linha de Passe – Esquenta!


Filho do embaixador/banqueiro Walther Moreira Salles (Unibanco), Salles é atualmente um dos maiores nomes do cinema nacional, justamente pela infinidade e classe dos prêmios que recebeu. Já prometia quando lançou o mediano Terra estrangeira em 1995, mas passou mesmo a arrebatar multidões com Central do Brasil, filme que nos rendeu indicações ao Oscar de melhor filme estrangeiro e melhor atriz para Fernanda Montenegro.  Depois veio Abril Despedaçado, responsável por um belo gás a carreira do Xerxes brasileiro e a consagração em de ver seu nome no Top 40 de melhores diretores do mundo, editado pelo The Guardian. Como se não fosse suficiente, o cara simplesmente filmou Diários de Motocicleta, nosso Easy Rider latino-virtuoso, o meu preferido em toda sua cinebiografia.

Premiadíssima mundo afora (inclusive com um Oscar pela canção), essa história da dupla Fuser/Miau é um também um de meus roadmovies preferidos e terá lugar reservado na estante de DVDs para sempre. Além de me inspirar a fazer provavelmente a melhor trip da minha vida, as belíssimas imagens dos pampas, dos Andes e da Amazônia peruana captadas com sensibilidade artística, jamais me sairão da cabeça. O tom emotivo e franco das relações dos personagens com os transeuntes, denota toda a esperança de Salles depositada na paixão, autenticidade e dignidade de seus personagens. Definitivamente me ganhou.

Sei lá porquê, mais ou menos na época em que Salles assombrou os beatnicks ainda vivos anunciando que dirigiria o roteiro de José Rivera que adaptava o livro de On the Road (de Jack Kerouac) o cineasta resolveu inovar demais, aceitando Água Negra, uma adaptação do homônimo japonês de 2002. E cometeu a coisa toda antes do prometido “Pé na Estrada”.

Não tinha como dar certo. O original vinha na esteira de The Ring e The Grudge, sem os sustos do primeiro, nem o visual do segundo. Morno da primeira à última cena, Salles não conseguiu imprimir qualquer marca, nem em uma cena sequer. A adaptação de Honogurai mizu no soko kara, que não merece maiores comentários, acabou saindo caro para Salles (ou não, se pensarmos no provável motivo da empreitada) e virou o patinho feio de seu currículo. Mas tal qual seu título em Portugal, Água Negra virou “Águas Passadas”. Estréia nesse fim de semana seu aplaudido Linha de Passe. Vamos a ele!

* Obs: Post no Cool sobre Diários de Motocicleta com (muitos e diversos) links relacionados aqui.

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