DVD: Santos e Demônios


Pescado d´uma conversa no Festival de Cinema Latino Americano deste ano, anotei no celular o nome de Santos e Demônios para alugar no dia seguinte. Não foi difícil de achar na prateleira de lançamentos, já que os nomes de Robert Downey Jr., Shia Labeouf e Rosario Dawson chamam a atenção de qualquer um, mas tenho certeza que não ficará ali por muito mais tempo. Apesar do excelente elenco, que conta ainda com Chazz Palminteri (vocês se lembram, Máfia no Divã, Tiros na Broadway etc.) e Dianne Wiest – ambos são provavelmente o que há de melhor no filme – a coisa toda se arrasta de tal forma que aquela sensação de que tudo foi imensamente desperdiçado te persegue durante o filme inteiro.

Dito Montiel – estreando como roteirista e diretor – faz um relato pessoal, de um cara que carrega a culpa de ter abandonado a família e os amigos para fugir dos problemas de sua comunidade na infância. Usa uma manjadíssima narração por flashbacks para apresentar causos violentos de um Queens povoado por latino-americanos pobres e sem perspectiva alguma de vida. Não se esquece de usar também o clichê de voltar algum tempo depois para verificar se os personagens da infância ainda respiram, comem e dormem da mesma forma. E adivinhem?

O roteiro baseado no livro A Guide to recognizing Your Saints não tem maiores pretensões e se limita a narrar o óbvio, cansativo e lento calvário de um adolescente que não consegue sequer sonhar com uma vida melhor diante dos amigos e conhecidos cujo destino simplesmente caminha para o nada. Apesar do excelente trabalho com os atores, Montiel não consegue vender bem a história, que não passa de um amontoado de lembranças pessoais de uma vida sofrida mostrada de um ponto de vista totalmente sem graça.

As melhores cenas estão no início e no fim do filme, que guardam diálogos muito bem construídos e excelentes interpretações, mas é muito difícil se prender a uma história que parte de premissas totalmente deinsteressantes e não trás nada de novo a vida no subúrbio novaiorquino. Há elogios, claro, à estética, coreografia e montagem, mas o assunto é batido demais para permitir rotular o filme com qualquer etiqueta além de “dispensável”.

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