Par de Valetes: 1408 & Renaissance


O nome do filme é esse mesmo – “Renaissance” – de um tal de Christian Volckman. Trata-se de uma animação em preto-e-branco, adulta, com roteiro sci-fi, belíssimas imagens e alguma originaldade. Tudo se passa numa Paris futurista (2054), na qual um policial de métodos pouco ortodoxos investiga o sequestro de uma jovem e promissora cientista que trabalha numa megacorporação.

A trama se desenrola sem maiores surpresas, girando basicamente em cima das investigações, sendo revelado ao cinéfilo aos poucos do que realmente se trata: uma tramóia científica das grandes, que pode por em cheque a vida como conhecemos. Sem maiores detalhes, o que você precisa saber é o que todos já estão dizendo: Renaissance é uma mistura de Sin City e Blade Runner. Há quem diga que é apenas um apanhado de clichês (clima noir, belas imagens, policial violento, femme fatale, cidade degradada, futurologia científica, corrupção rolando solta, multinacionais fingindo fazer o bem enquanto enriquecem matando gente etc.). Não importa, a estética é tudo e compensa toda a coletânea mais-do-mesmo que acompanha a película. E, sinceramente, quem liga de ver tanta referência boa junta? Tão falando de Blade!! Tão falando de Sin City!!

Entretanto, um aviso: o filme é ousado, preto e branco, difícil. Embora existam alguns diálogos bem ruins e alguns momentos sonolentos, a trama interessa a quem gosta do tema, impressiona pelos detalhes dos personagens, de seus movimentos quase perfeitos, da cara expressionista (coisa de alemão, não de francês) das paisagens. Imperdível, mas para poucos.

1408 é o exato oposto. Mas veja, se você é chatinho com o cinema comercial, tem dois nomes que vão ajudar: Stephen King e John Cusack. Tudo bem, das mais de 100 adaptações do mestre do terror, umas 7 ou 8 se salvam, mas poxa, se o John Cusack resolveu arriscar por o nome dele lá, você não pode arriscar dez mangos só para ver no que deu? Tudo bem, tudo bem, o Clive Owen fez bobagem mas dessa vez eu garanto que você não vai se arrepender.

Um começo arrastado conta que o personagem de Cusack é um escritor famoso de histórias de terror e guias de turismo voltados a lugares mal assombrados. Depois de percorrer uma série deles, encontra no quarto 1408 do Hotel Dolphin um novo desafio. Você entraria num quarto onde morreram mais de meia centena de pessoas? E se o Samuel L Jackson lhe avisasse que se você entrar jamais vai sair? Nosso herói não tem medo de nada e resolve se arriscar.

Fotografia boa, montagem competente, música razoável, o desconhecido Mikael Hafström dirige de forma convencional mas segura a onda escolhendo John Cusack que nunca faz feio em suas atuações. Veja bem, não compre o filme pensando tratar-se de terror, pois a exemplo de “A Vila”, quem procura sustos e se depara com um thriller psicológico jamais fica satisfeito, por mais instigante que o filme seja. Não é o filme mais angustiante que você já viu, mas com certeza não faz feio como boa parte das adaptações mal-feitas de King. E veja no cinema, porque em DVD vai perder boa parte da graça…

Abraços e be scared.

headphones1.jpg – Móveis Coloniais de Acajú – Idem

(que já está merecendo um post autônomo)

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