SiCKO, Michael Moore, internet e polêmica


Antes de tudo, a grafia de SiCKO não está equivocada. Trata-se de uma piadinha com a sigla PhRMA, “The Pharmaceutical Research and Manufacturers of America”, que é uma fundação norte-americana de pesquisa farmacêutica e biotecnologia. Já SiCKO é o novo filme de Michael Moore, cujo trailer você pode conferir aqui, com direito a “Aquarela do Brasil” na abertura. Bom, hein?

Os críticos da Variety já viram o filme e gostaram: “emocionante e divertido”. Na linha de seu último filme, Fahrenheit 9/11, o filme desta vez trata do sistema de saúde pública norte-americano, questão encarada da forma de sempre, com muita parcialidade e impondo sua opinião. Moore ficou famoso pela receita em 2002 com Bowling for Columbine – sobre armas e violência na América – que une documentário a bom humor, com razoáveis doses de ironia, emoção, ousadia e crítica. Antes, já havia feito algum barulho por Roger and Me, um polêmico documentário sobre como a General Motors teria invadido e abandonado uma cidade, deixando um legado de miséria e desespero para seus habitantes. Que currículo!

Sobre SiCKO, aparentemente aquilo que alguns chamam de “lado humano” e outros de “pieguice” também está presente, materializado na figura de um casal cuja vida foi destruída pela morte de um deles, que não conseguiu cobertura médica para sua doença. Segundo a reportagem, o filme começa catalogando doenças não-cobertas por seguros de saúde privados com letreiros-tipo-guerra-nas-estrelas, segue entrevistando pessoas em países em que a saúde é gratuita, parte para Moore levando pessoas que ficaram doentes no “11 de Setembro” em decorrência da queda das torres para ser tratados em Cuba e, no caminho, a melhor piada do filme: o cara pára em Guantanamo, chamando-lhe de “o único lugar dos Estados Unidos em que o sistema de saúde é cem porcento público”.

E parece que deu certo mesmo. O filme foi ovacionado por duas mil pessoas em Cannes, na semana passada, sendo aplaudido durante vários minutos após a exibição no Lumiére Theater. Dia 19/06 a gente confere.

Até lá, você pode assinar a newsletter do cara (muito boa), acompanhar seu blog ou ajudar em uma de suas inúmeras campanhas, como essa em que pede (e justifica com todos os termos legais e morais) o impeachment de Bush.

Curiosidade: se você não gosta de Moore (muita gente não gosta) vai adorar descobrir o site MooreWatch. O mantenedor é um tal de Jim Kenefick, inimigo mortal do cineasta, mas que é tão parcial quanto ele. A parte legal é que no ano passado Kenefick aproveitou o site para pedir donativos em ajuda a despesas de saúde de sua mulher, sendo ajudado por um doador anônimo em doze mil dólares. Se você assistir SiCKO vai saber quem foi o doador…

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Um comentário sobre “SiCKO, Michael Moore, internet e polêmica

  1. SIKO em suas entrelinhas nos mostra uma grande arma da população, se todos cumprirem com o seu dever de cidadãos e cobrarem por um sistema de saúde democrático, não vão mais ocorrer dramas como este, vivência diária de muitos brasileiros. É como Michel retrata neste documentário, quero ver quem vai ser o cineasta brasileiro a mostrar a nossa realidade aqui no Brasil.

    Bjkas

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