Boa notícia: Hannibal Lecter está de volta. Má notícia: Antony Hopkins não.


 

De 1992 pra cá, já fizeram de tudo com o canibal. Notório participante do rol dos vilões mais impressionantes de Hollywood, o assassino imaginado por Thomas Harris voltou às telas de forma polêmica em 2001, pelas mãos de Ridley Scott, depois foi ressucitado em Dragão Vermelho (2002) e volta agora aos cinemas para renovar mais uma vez a franquia, numa prequel batizada em português de “A Origem do Mal”. E coube ao inexperiente Peter Webber carregar o pesado fardo de dirigir um “intocável”.

Dessa vez o filme não foi baseado num livro de Harris, ele mesmo é quem resolveu assumir o roteiro e decidir passo a passo como o canibal se tornou o que é, lançando o romance posteriormente.  Imagino que assim como eu, o leitor não tenha grandes esperanças de ver um filme verdadeiramente bom, mas aposte no roteiro do criador do personagem para ver algo razoavelmente interessante. Já adianto que além de não corresponder a espectativa, esse foi justamente o ponto fraco do filme.

Gaspard Ulliel tem cara de tudo, menos de canibal. Fez um trabalho competetente, porém insuficiente, sem brilho, sem emoção. Não bastasse a má escolha do ator e o filme desnecessariamente longo, recai sobre a própria história o fardo do desperdício maior. Numa tentativa de glamourizar o personagem já na sua infância, a história começa mostrando a rica família Lecter vivendo na Lituânia durante a Segunda Guerra Mundial. Perdendo suas posses, foge para uma casa na floresta e lá é totalmente dizimada, restando apenas o garoto Lecter e sua irmã Mischa, escondidos durante o massacre. Daí para frente são narrados os fatos que teriam formado a personalidade de Lecter.

Anthony Hopkins faz falta, muita falta. O filme é visualmente competente, com bom figurino e ótimos cenários, mas falta aos personagens o glamour, a classe que o personagem empreende em suas histórias. Ulliel tenta, mas não consegue soar sofisticado o suficiente e quando o faz, não convence, dá a nítida impressão de estar representando, assim como faz boa parte do elenco. Não que os atores sejam ruins, pelo contrário, mas os diálogos que lhes escreveram são superficiais e sem emoção, a trama é sem sal e parece um tanto quanto diluída ao longo do filme. Não há detalhes, é tudo raso e previsível, desmerecendo a complexidade de Lecter e caricaturizando demais seus oponentes.

Não há elementos suficientes para enquadrá-lo como serial killer, já que o personagem (previsivelmente) caça apenas os que lhe fizeram mal e também não se justifica satisfatoriamente sua erudição, ocupando-se o roteiro apenas de explicar seu apetite por carne humana. E vá lá, isso não é nenhuma novidade em qualquer filme da série.

Simplesmente mais do mesmo, Hannibal Rising é apenas mais um filme médio, que proporciona alguma diversão por (algumas) boas cenas de suspense e impressiona nas esquetes de canibalismo, mas peca justamente por se apegar demais a esses elementos deixando de aprofundar o que realmente interessava transformando-se num filme longo e chatinho. Nota 7,5, prefira aguardar o lançamento em DVD, que deve vir recheado de extras e poderá interessar mais. Em cartaz há algumas opções bem mais interessantes.

 headphones1.jpg Para acompanhar e relembrar, The Cult – Love (1985)

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3 comentários sobre “Boa notícia: Hannibal Lecter está de volta. Má notícia: Antony Hopkins não.

  1. eu vi o trailer no cine. pareceu exatamente isso que vc escreveu, hehehe… fica pro dvd, o dia que não tiver nada melhor pra alugar… 😉

  2. Putz, vi o filme e confesso que fiquei de saco cheio. Nao via a hora de acabar.

    O cara que faz o Hannibal (esqueci o nome) acho que ate mandou bem, mas a história é muito chatinha. A impressão que dá é que se tenta justificar o cara ser um doido, dando até mesmo um ar de “Justiça” ao que ele faz.

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