A CIE Brasil e o Velvet Revolver bem que tentaram…


… mas ficaram bem longe de conseguir estragar a festa.

Passado o post fruta que eu acabei de cometer – fruta mas sincero, vá lá – vamos a metralhadora da noite. Primeiro, a apresentação do Velvet Revolver. Aliás, depois de ver os caras ao vivo você entende realmente o porquê do nome.

Foi só uma horinha de show, mas pareceu uma eternidade. Basicamente, a apresentação ficou no “Contraband”, debut de 2004, composições das ex-bandas e alguma coisa do novo álbum “Libertad” que ainda nem saiu.

Houve algum interesse em “Fall to Pieces”, mas “Slither” passou quase desapercebida de tão ruim que estava o som nesse momento. Som, aliás, péssimo durante quase toda a apresentação. Os roadies bateram cabeça do começo ao fim, sem conseguir resolver a defasagem do vocal frente aos instrumentos, estragando as versões de “Crackerman” e “Don´t Do It For The Kids”, do Stone Temple Pilots, que soaram muito fraquinhas e apagadas.

Scott Weiland demonstrou muito empenho e exibiu um físico invejável no palco, chegando a empolgar numa versão interessante de “It’s So Easy”, mas num vocal bem menos inspirado no cover “Mr. Brownstone”, ambas do Guns. Infelizmente, Scott não tem nem metade do poder de voz de Axl Rose e empolgou pouca gente nas canções importadas. Pior, não se mostrou humilde e fez pose de rockstar numa capela interminável que chegou até a arrancar algumas vaias da pista.

Duff e Slash também se mostraram tímidos ao tocar músicas do STP, saindo-se competentes apenas nas versões que tocaram por anos no Guns. As músicas do próprio VR, que sabe-se muito inferiores em termos de empolgação, pouco extraíram de uma platéia ansiosa pela banda pricipal. Slash, entretanto, sempre foi um espetáculo à parte e provavelmente foi a única atração realmente relevante da banda.

Pior ainda saiu-se, como de costume, a produtora CIE Brasil. Valendo-se da exdrúxula “Lei-Maluf” que permite a limitação de ingressos de meia-entrada em shows na cidade de São Paulo, vendeu os habituais 1/3 dos ingressos nessas condições e exigiu inteira para os demais estudantes. O resultado? Não poderia ser outro face a grande quantidade de adolescentes interessados: muitos espaços vazios e uma tristonha arquibancada laranja largada às traças. Uma bobagem das grandes, ainda mais numa época tão recheada de ótimos – e caríssimos – shows internacionais. Entendam, não havia pouca gente (oficialmente por volta de 60 mil, número que soa um tanto quanto generoso) mas poderia haver mais, como há três semanas no mega-show do ex-Pink Floyd Roger Waters.

A falta de tino para os negócios já é velha conhecida dos rockeiros nacionais. Um show dessas proporções que pode-se dizer, chegou a sub-aproveitar o Morumbi, tanto por conta do problema do preço, quanto por ser realizado numa quinta-feira. Horário ingrato e dia da semana errado, aliados ao preço abusivo dos ingressos e da legal porém imoral problemática da meia-entrada, melhor poderiam ter servido ao Estádio do Pacaembú, que é menor e mais bem localizado. O som seria melhor e o acesso infinitamente facilitado.

De resto, as trapalhadas de sempre. Pessoas da arquibancada invadindo a pista com argumentos exdrúxulos, seguranças incompetentes, poucos e péssimos orientadores, suprimento de comida e bebida absolutamente deficitário, a velha e boa incompetência a que já estamos habituados.

Incompetência, aliás, que também sobrou ao supermercado Pão de Açúcar da Av. João Jorge Saad, que além de cobrar abusivos trinta reais dos que utilizaram-se de seu estacionamento para ir ao show, mas que consumiram – e muito – em bebida e comida dentro do estabelecimento, mostrou-se totalmente alheio a regular emissão de notas-fiscais. Na totalmente desorganizada saída do local, atendentes mal educados nos maltrataram e fizeram enorme pouco caso quando lhes foi solicitada emissão de nota-fiscal. Depois de ameaças e rusgas totalmente desnecessárias, emitiram um papel sem-vergonha e sem valor. Uma vergonha.

Tudo pouca coisa perto do maravilhoso espetáculo proporcionado pela banda. Mas tudo digno de nota, ficando bem registrado para a posteridade.

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Um comentário sobre “A CIE Brasil e o Velvet Revolver bem que tentaram…

  1. Esse vocal do VR não é rock star. Ele quer (e muito) ser; faz de tudo pra isso, mas aí a coisa fica ridícula. Dava até dó de ver o kra tentando mas todas as reboladas, todos os trejeitos… tudo era feito e não natural. E olha que eu até gostei da banda à qual pouco conhecia. Aliás, o Slash pareceu não ter envelhecido nada desde a época do Gun’s. Acho que vou começar a me drogar também… 😉

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